É a condição em que o paciente sente dor na região posterior do tornozelo causada por compressão ou impacto ósseo, às vezes envolvendo tecidos moles como o tendão do músculo flexor longo do hálux. Os sinais e sintomas aparecem em atividades que solicitem máxima flexão plantar do tornozelo (caminhar na ponta dos pés). Sendo assim, bailarinas clássicas frequentemente são acometidas por esta patologia.

Quando o movimento de flexão plantar é excessivo, repetitivo e acompanhado de sobrecarga, o resultado é a danificação dos tecidos adjacentes seguidos de dor.

As causas mais comuns para o aparecimento da Síndrome do Impacto Posterior do Tornozelo são:
– hipermobilidade em flexão plantar
– reabilitação inadequada de lesões agudas no tornozelo
– variações anatômicas no osso tálus, conhecida como Os Trigonum
– Excesso de atividades provocativas, tais como, treino de ballet clássico em sapatilhas de ponta, caminhadas ou corridas (principalmente em descidas), treino na ponta dos pés, saltos e pulos.

O diagnóstico é feito através da queixa e história do paciente, bem como testes específicos para descartar a possibilidade de outras patologias que se assemelham em sinais e sintomas. Exames por imagem são importantes nesse caso. Pode-se verificar em radiografias de diferentes incidências, porém, a ressonância nuclear magnética auxiliará, não somente na confirmação desse diagnóstico, como na exclusão de diagnósticos diferenciais.

O tratamento é primeiramente conservador, com objetivo inicial de repouso, controle da dor e, temporariamente, controle de movimento em flexão plantar com órtese imobilizadora. Imediatamente após a melhora dos sintomas, a Fase II restabelecerá a amplitude de movimento e o fortalecimento da musculatura extrínseca e intrínseca do tornozelo e pé. A Fase III será encarregada de recuperar a velocidade, propriocepção e agilidade do paciente até devolvê-lo ao esporte com parâmetros equivalentes à fase pré-lesão.

O tratamento cirúrgico ocorre quando há persistência dos sintomas, particularmente em atletas de alto nível. O cirurgião ortopédico pode optar por cirurgias abertas ou artroscópicas.

É relevante ressaltar que um bom tratamento só é possível após o diagnóstico correto e preciso da patologia em questão. Portanto, a avaliação inicial deve ser feita baseada em ciência, utilizando testes funcionais adequados, questionários de função reportada, parâmetros físicos e funcionais evolutivos. A prática baseada em evidência científica é um compromisso do Instituto Mood com seu cliente!

Prof. Dra. Carolina Lins, FT, PhD

Referências Bibliográficas:
J Orthop Sports Phys Ther 2018; 48(3):194-203.
J Dance Med Sci. 2018 Mar 15; 22(1):11-18.
The Journal of Foot & Ankle Surgery 2017; 56: 22–25
Journal of Sport Rehabilitation 2015; 24, 261 -267

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